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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Montando uma carteira de investimento


Agora que os guerreiros sabem como analisar uma empresa e já dispõem das ferramentas necessárias para tanto (se não, leia os artigos anteriores da Coluna Análise Fundamentalista), vamos dar continuidade falando sobre a construção da sua carteira de investimentos, focada em análise fundamentalista e com objetivo de longo prazo.

Seleções das ações / Estratégia - Nos artigos anteriores, já falamos sobre as estratégias envolvidas na análise de uma empresa, selecionando entre crescimento, valor e dividendos, e na escolha de empresas com mais de um tipo de foco. Neste caso, o foco da estratégia escolhida vai depender do perfil do investir. Uma pessoa mais conservadora montará uma carteira com pelo menos 2/3 das empresas com foco em Dividendos e/ou Valor, ao passo que um investidor mais agressivo vai dar prioridade a empresas com foco de crescimento. A escolha do foco da empresa é muito pessoal, mas lembre-se de utilizar os indicadores e a planilha para análise da empresa, e que esta se enquadre nos padrões de atratividade de investimento. Uma frase para refletir retirada do livro do Lueders, autor do livro Investindo em Small Caps: risco depende de conhecimento.

Diversificação - Este é um assunto bem controverso. Alguns pregam concentração da carteira; outros muita diversificação de ações. Cada uma tem suas vantagens e desvantagens. Uma diversificação maior dilui o seu risco, mas a maioria das fortunas foram feitas com base na concentração dos investimentos. Então quantas ações devo ter na carteira? Não existe regra, mas eu vou deixar minha opinião. Não recomendo a um pequeno investidor, com um patrimônio para investimentos de até R$ 50 mil, que este diversifique muito. Tente concentrar sua carteira em no máximo 4 ou 5 ações. Mas para isso estude bastante qual empresas investir. Além disso, escolha empresas de setores diferentes para diminuir o seu risco setorial. 

O Lirio Parisotto, que é o maior investidor pessoa física do país, com um patrimônio superior a 2 bilhões, diz o seguinte: "Acredito que a diversificação é eficaz para a proteção do patrimônio, mas a idéia de investimento seguro é falsa, já que dificilmente você conhecerá a fundo todas as empresas que você estiver investindo. Investir em 4, 5 empresas, é uma boa pedida. Dá pra acompanhar numa boa. Mas investir em 20, 30 empresas, é extremamente arriscado. Como você irá acompanhar de perto todas elas? É impossível". Já Lueders é a favor da diversificação, e diz o seguinte: "Graham foi um exemplo de investidor de sucesso que utilizou amplamente a diversificação, focando a compra de empresas com margem de segurança e utilizando a abordagem atuarial. Os lucros obtidos pelos investimentos que apresentavam êxito eram suficientes para compensar suas perdas". 

Liquidez - O forista Domingos Junqueira criou uma regra para determinarmos um teto para investimento em uma small caps com segurança. A regra é a seguinte: limite máximo de investimento de 10% do volume financeiro médio diário do mês anterior da empresa, ou a média dos dois últimos meses (este dado é fornecido pelo site Fundamentus).
Exemplo: MEND6 - Valor médio diário do mês de maio foi de R$ 10.580,00 * 10% = R$ 1.058,00. Este seria o valor máximo para investir nesta ação para não ter um risco muito alto de liquidez caso queira sair do papel em um momento de alta volatilidade. 

Momento de compra e venda - Na teoria é muito simples: compre na baixa e venda na alta. Mas como identificar estes momentos? Para a compra é só usar os parâmetros de atratividade que explicamos nos artigos anteriores, selecionando empresas com alto potencial de valorização com base em fundamentos. Mas e para venda, como reagir?

Aqui vou deixar minha estratégia pessoal: eu só vendo um ativo na carteira se ocorrem um ou mais deste motivos: - o ativo chegou no meu preço alvo; - piora nos indicadores da empresa ou perspectivas ruins para a empresa / setor; - surgir um ativo mais atrativo para investimento; 
Neste caso, diversas vezes já deixei de vender um ativo após este deixar sinal de topo, mas eu não recomendo ao investidor ficar tentando acertar vender ativos na máxima e comprar na mínima. Em alguns casos, irá ter sucesso, porém irá perder diversas oportunidades de aumentar sua lucratividade. 
Exemplo: EZTC3 - em janeiro de 2010 a empresa deixou um sinal de topo, após uma forte alta de mais de 400% desde a crise. Muitos investidores venderam dizendo que o ativo iria recuar forte depois disso. Mas não foi o que aconteceu. O ativo lateralizou por alguns meses, mas, em  menos de um ano depois deste topo, a cotação se valorizou mais de 65%.

Caixa na reserva - Imagine a seguinte situação: você é um técnico de futebol, o seu time está disputando a final de um campeonato. O time adversário teve um jogador expulso no início do segundo tempo e o principal jogador deles se contundiu. E no seu banco de reservas você tem aquele jogador coringa, um atacante goleador, que está em um grande momento. Nestas horas, onde o panorama passa a ser favorável, é de extrema importância ter uma carta na manga. E nos investimentos ocorre a mesma coisa. De junho a outubro de 2008, o Ibovespa caiu mais de 50%. E se você investidor estivesse 100% comprado, sem nenhum dinheiro reserva para fazer novos aportes? Teria perdido grandes pechinchas na promoção relâmpago da bolsa. E a noticia boa é a seguinte: estas promoções não são comuns, mas acontecem! Então, esteja preparado e tenha uma parte de seu capital investido fora do mercado de ações. Em um momento favorável, onde a bolsa está em uma boa tendência de alta e o cenário macro econômico está tranquilo, diria para ter pelo menos 15% do seu patrimônio investido fora das ações, seja em Tesouro Direto, Fundos Imobiliarios ou CDBs. Em um momento de crise, onde o mercado lhe oferece a oportunidade de comprar empresas com bons fundamentos a preço de banana, este capital reserva será de extrema valia para alavancar os seus resultados.

Emocional - De que adianta o investidor elaborar toda sua estratégia, fazer as análises das empresas, montar sua carteira, se depois, ao primeiro sinal de turbulência do mercado, se desesperar e fugir do seu plano. Se o investidor não estiver preparado emocionalmente, e aceitar que o mercado é irracional, principalmente no curto prazo, além de perder ótimas oportunidades, não irá ter sucesso no seu foco de longo prazo. Um dos principais comportamentos que destaco é a disciplina. Segundo Lueders: "O investidor deve ter a capacidade de seguir investindo nas melhores opções, independentemente do que a massa de integrantes do mercado esteja fazendo. É mais confortável investir conforme a multidão, mas no longo prazo o que vale não é seguir esse movimento, e sim ter escolhido as empresas corretas. As massas vão e vem, e podem escolher um dos ativos que compõem sua carteira para ser o próximo centro das atenções".

Termino este artigo deixando outra frase para reflexão, esta do livro do Sun Tzu, Arte da Guerra, cujos ensinamentos podem ser aplicados em diversos ambientes diferentes:
"Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas."


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Planilha para montar uma Análise Fundamentalista



Agora que os guerreiros já sabem como interpretar os principais indicadores fundamentalistas (recomendo que, antes de usarem a planilha, deem uma lida nos 5 artigos anteriores que postei, em ordem cronológica), vou disponibilizar uma planilha que montei, onde será possível ao investidor montar sua própria análise sobre qualquer ação que preferir, e ir monitorando a evolução dos números trimestralmente.

Link para download da planilha (segunda atualização):  http://www.4shared.com/office/XqnslZVp/EZTC3-2T12-Cadu_28.html



Na primeira parte da planilha, o investidor terá que digitar os dados em toda as áreas marcadas com a cor azul, conforme o período e o indicador. Neste caso, montei a planilha com base nos dados da EZTC3, que possui um tag along de 100%.


Agora, vou mostar onde e como achar estes números para serem preenchidos na planilha.
Entrem no site da Bovespa: http://www.bmfbovespa.com.br

Depois, entrem em "Conheça as companhias que têm ações negociadas na Bolsa", que está na aba a esquerda do site.

Após, na caixa para digitar o nome da empresa, digitem o deste exemplo, que é: EZTC3 ; depois selecionem Buscar.

Vai aparecer a razão social da empresa, confirme se corresponde, e clique no nome dela.


Vai abrir uma janela onde constam diversas informações sobre a empresa, incluindo Dados da empresa, Plantão das últimas noticias, Cotação, alguns dados econômicos, Posição acionária, e Composição do capital. A principio, vamos nos ater a aba que nos interessa, que é a aba Relatórios Financeiros, lá na parte de cima da janela, cliquem nela.

Vai abrir uma nova janela, igual a esta abaixo:

Esta aba nos mostra o seguinte (sendo bem objetivo, ignorem por enquanto o que não estiver escrito abaixo):
ANO - nela você escolhe o período que vai querer analisar os balanços. A janela sempre abre com a pré-seleção dos últimos balanços divulgados, tanto o trimestral quanto o anual.

ITR - Se refere ao balanço Trimestral

DFP - Se refere ao balanço Anual

Se modificarmos o período do ANO, para 2010 por exemplo, no ITR teremos:
31/03/2010 - Legislação Societária
    Estes representam, respectivamente, os balanços do: 3T, 2T e 1T de 2010.

      Vamos usar como base para explicação, o último trimestre divulgado, que foi o 1T 11, mostrado no site na parte de ITR do último ANO (ou de 2011) como 31/03/2011 - Informações Trimestrais, cliquem nele. Vai abrir uma janela igual a esta abaixo:


      É nesta janela onde iremos coletar todos os números, refentes ao 1T 11, para colocarmos na planilha.


      Na parte acima, onde têm duas caixas logo após de "Você está vendo:", selecione na primeira DFs Consolidadas. Na segunda caixa vai aparecer Balanço Patrimonial Ativo.

      Neste caso, temos agora a visualização dos números do ATIVO da empresa neste trimestre, na primeira coluna, e na segunda coluna neste caso temos os números referentes ao ano de 2010, igual a imagem abaixo:


      Na parte de ATIVOS, os itens na planilha estão na cor verde. Copie e cole  (ou digite) cada valor referente ao período na planilha.

      Com a nova regra contábil, os últimos resultados estão vindo com o Ativo Permanente em separado. Para se obtê-lo, soma-se os itens: Investimentos, Imobilizado e Intangível.



      Após montar os Ativos, selecione na segunda caixa o Balanço Patrimonial Passivo. Na planilha, estes itens estão marcados pela cor vermelha. Os Empréstimos e Financiamentos de CP (curto prazo) estão no item 2.01.X, ao passo que os de LP (longo prazo) estão no item 2.02.X.

      Depois de montar os Passivos, selecione na segunda caixa a Demonstração do Resultado (DR). Na planilha estes itens estão marcados pela cor azul.

      Para montar a DR, selecione na primeira caixa o item Dados da Empresa. Nesta janela, irá aparecer o número de ações total da empresa. Adicione este item na planilha, seguido pela cotação da ação na época da divulgação do balanço.

      No último item da planilha, o Resultado não recorrente, serve para anotar qual foi o valor referente ao lucro líquido que foi inflado por um evento não recorrente, ou seja, que não é da natureza da empresa. Sugiro aos investidores iniciantes deixar este item em branco, e se apegar mais a comparação do EBIT com o Lucro Liquido, conforme já explicado no artigo anterior. Quem quiser pode comparar também na planilha o Resultado antes do Financeiro e Tributo com o Lucro Líquido, para se ter uma ideia dos fatores não recorrentes.

      E pronto, está montada a sua planilha. Logo abaixo dos dados adicionados ela fornece diversos cálculos, retornando indicadores explicados anteriormente aqui. Cabe agora cada investidor montar suas análises e ir fazendo o monitoramento trimestral da evolução das empresas que quiser acompanhar de perto.

      Algumas observações: O 4T de cada ano é obtido com os números do resultado anual subtraindo os da soma dos três trimestres anteriores, por isso não precisa preencher o 4T na planilha. No ativo e passivo os números são iguais ao do balanço anual.

      Para colocar o dado anual, por exemplo de 2010, é só seguir os mesmos passos acima, só que abrindo ao invés do ITR, o DFP de 31/12/2010.

      Nos balanços divulgados até o 3T 10, o formato da bovespa é diferente, porem só o layout basicamente que mudou. Os mesmos itens que hoje selecionamos pelas caixas, podem ser selecionados clicando nos ícones marcados na imagem ao lado com a seta azul. Sendo que o primeiro deles, Dados da empresa, selecionar depois o item 5 - Composição do capital, para obter o numero de ações na época.


      Neste layout antigo, alguns itens estão com o nome trocados, neste caso substitua:
      Resultado antes Financeiro e Tributo = Resultado Operacional
      Disponibilidade = Caixa e equivalente de caixa

      Empresas do setor financeiro (bancos por exemplo) - Substituir os seguintes itens:
      Receita líquida de Venda = Receita da Intermediação Financeira
      Custos das vendas = Despesas da Intermediação

      Para acompanharem novas planilhas disponíveis para download, usem este link:
      http://www.4shared.com/dir/BZCw1UGS/sharing.html







      terça-feira, 31 de maio de 2011

      Fórmula do PSBe para calcular o preço alvo da ação


      Agora que os guerreiros já sabem como identificar as características de cada empresa, seja ela de valor através da analise de múltiplos, seja ela de crescimento através da analise da evolução da receita e lucro líquido nos últimos anos, seja ela de dividendos através de altos e constantes Dividend Yield, ou se a empresa possui mais de uma característica na estratégia, agora irei mostrar uma fórmula para identificarmos o preço alvo da ação, com base em valor, chamado PSBe.

      Psbe - Preço Sugerido pelo Balanço, exponencial no lucro
      PSBe é um novo índice que é baseado em dados contábeis de fácil apuração, alto grau de confiabilidade, reduzido número e amplo espectro. Uma vez calculado, o índice pode ser diretamente comparado ao preço das ações. Esse novo índice tem por base os principais múltiplos utilizados pelo mercado e apresenta coeficiente de correlação com o valor de mercado das empresas listadas na Bovespa de 0,96, superior ao EVA e ao FCD. Ele foi criado pelo Domingos Junqueira, que participa do fórum do infomoney, e dividiu sua fórmula conosco. 

      Como é a fórmula?
      PSBe = ((Patrimônio Líquido + Receita Líquida12m + Resultado não operacional12m + (Lucro12m - Resultado não operacional12m) * ABS(Margem Líquida) ^ (-VMCM * ABS(Margem Líquida))) * Cotação unitária) / nº de ações 


      Sendo que; 

      SE(Cotação unitária;1;1000); Cotação unitária não é preço da ação, indica se o lote negociado representa 1 ação ou mil ações. 
      Margem Líquida de 12 meses e descontada do 'Resultado não operacional12m' 


      VMCM => Variável para Maximização da Correlação com o Mercado

      ABS() => Função do Excel que retorna o valor absoluto de um número. O valor absoluto de um número é o próprio número sem o respectivo sinal.

      Com isso, você tem um preço diretamente comparável ao preço da ação e que resume os principais indicadores de preço de uma ação. Pense nele como um pólo magnético em torno do qual a ação deve girar. Se você acha que a empresa vai melhorar muito nos próximos meses/anos você paga um prêmio extra em cima deste valor ou vice versa.

      Mas é esta a melhor forma de se avaliar o preço de uma ação? Provavelmente não, mas é o mais prático e independente meio de se obter o valor de consenso de mercado de uma ação. Prático porque você só precisa de 4 valores do balanço para calcular o preço da ação e independente porque você não precisa de um economista/analista para fazer o cálculo, qualquer um pode fazer! Você não fica dependente e pode checar as fontes quando quiser. Outra vantagem que eu vejo nessa forma de valorar uma ação é a possibilidade de trabalhar com empresas que venham tendo prejuízos seguidos o que não é possível com o uso do FCD (fluxo de caixa descontado, método de preço alvo utilizado pela maioria dos analistas).
      FCD x PSBe - Nas palavras de Domingos: "O FCD representa uma estratégia de investimento em Crescimento, a minha fórmula é uma estratégia de investimento em Valor, por ela eu não quero saber quanto a empresa valerá, mas quanto ela deveria estar valendo baseado no seu passado recente + créditos e patrimônio. Na minha fórmula, não há espaço para futurologia, nem para calibração particular, ainda q eu faça uma calibração geral no cálculo da constante. Ressalto que no FCD você calibra o valor da ação não só com o Beta, mas também na análise de sensibilidade e nessa hora praticamente qualquer coisa é possível. Outro ponto importantíssimo a ser levado em consideração é que essa fórmula apresenta um coeficiente de determinação bem superior aos métodos mais tradicionais de valoração de empresas como EVA (0,5) e FCD (0,23). O PSBe chega a 0,97!"
      Outra variante da fórmula é o PSBe-TAG, neste caso o conceito de Tag Along é levado em consideração na avaliação do preço da ação. Após calcular o PSBe para a ação, multiplica-se o valor pelo Tag Along da mesma, obtendo-se desta forma o valor que seria pago aos minoritários em caso de venda da empresa. O preço da ação deve, inicialmente, sempre ser comparado com o PSBe-TAG. O mesmo vale para o Valor da Empresa.
      Uma empresa poderá ter seu valor variando entre o Valor da Empresa PSBe e o VE PSBe-TAG caso o mercado a considere empresa líder, que incorpora as concorrente, e por conseguinte não tenha previsão de venda. O mesmo vale para o preço da ação.
      A idéia básica por trás deste novo índice é a de um mercado imperfeito e desbalanceado no particular, mas bom indicador de valor quando confrontado com a melhor otimização dos índices. Ou ainda nas palavras do Warren Buffett: "A ‘teoria de mercado eficiente' (TME) é uma doutrina que se tornou altamente fashion, quase santa escritura em círculos acadêmicos durante os anos 70. Essencialmente, ela diz que analisar as empresas/mercados era inútil porque toda a informação pública sobre elas foi refletida apropriadamente em seus preços. Ou seja, o mercado sempre sabe tudo. Como um corolário, os professores que ensinaram TME dizem que alguém jogando dardos numa tabela de ações poderia selecionar um portfólio de ações com os mesmos resultados de uma tabela selecionada pelo mais brilhante e tenaz analista. Surpreendentemente, TME foi abraçada não somente pelos acadêmicos, mas por muitos profissionais de investimento e gerentes corporativos. Observando corretamente que o mercado era freqüentemente eficiente, concluíram, incorretamente, que era sempre eficiente. A diferença entre estas proposições é como a noite para o dia."
      Vamos partir para um exemplo prático então:

      PETR
      PL = 144.406.833.000
      Receita líquida 12m = 210.821.502.000
      Lucro líquido 12m = 31.878.502.000
      Resultado não operacional = N/D
      Margem líquida 12m = 15,12%
      Valor da constante = 5,6


      Quantidade de ações

      ON = 5.073.347.344 Tag Along 80%
      PN = 3.700.729.396 Tag Along 40%
      Total = 8.774.076.740


      PSBe = (144.406.833.000 + 210.821.502.000 + (RÑO ausente) + ((31.878.502.000 - (RÑO ausente)) * EXP(15,12% * -LN( ABS(15,12%)) * 5,60 * SINAL(15,12%))) * 1) / 8.774.076.740
      OBS: se for copiar e colar esta fórmula no Excel com os números, tirar os pontos nos valores numéricos, e trocar a palavra RNO ausente por 0.
      PSBe = 58,48; PSBe-TAG = 46,78/ON e 23,39/PN
      VE PSBe = 513.066.449.554,14
      VE PSBe-TAG = 323.892.708.346,69

      (Também pode-se calcular o PSBe-TAG empresa dividindo o valor acima pelo número total de ações encontrando o valor 36,91, para os casos em que os acionistas não consideram uma venda em um futuro próximo, uniformizando as cotações ON e PN). 


      Valor de Mercado da PETR = 307.039 milhões em 3/7/2009


      P.S.: A legislação atual desobriga a apresentação do Resultado Não Operacional por conta da convergência contábil com os padrões mundiais, demonstrando que nem todo progresso representa uma melhoria de informação.

      Essa constante é calculada de forma a maximizar o coeficiente de correlação - utilizando o 'Atingir meta' do Excel, mas também pode-se utilizar o Solver - entre o valor calculado pela fórmula para as empresas e o respectivo Valor de Mercado. A constante teria como função capturar o fluxo financeiro aplicado na bolsa, pois este seria mais importante que a taxa de juros para a valoração das empresas.
      Para montar a fórmula no Excel é simples. Use os dados anuais da empresa. Coloque os indicadores abaixo na coluna A da planilha:
      A1 = Patrimônio Líquido
      A2 = Receita Líquida 
      A3 = RNO 
      A4 = Lucro Líquido 
      A5 = Margem Líquida 
      A6 = Valor da constante (VMCM) = 7,35 
      A7 = Número Total de ações 
      A8 = VE PSBe 
      A9 = PSBe - Preço Alvo


      Após montar estas, coloque os respectivos valores de cada item na coluna ao lado, nas células da coluna B. Deixando em branco ainda os da coluna B8 e B9 para colocar a fórmula. Veja o exemplo abaixo:

      Fórmula célula B8 (VE PSBe), copiar e colar no Excel: =(B1+B2+B3+((B4-B3)*EXP(B5*-LN(ABS(B5))*B6*SINAL(B5)))*1)
      Fórmula2 célula B9 (PSBe - Preço Justo), copiar e colar no Excel: =(B1+B2+B3+((B4-B3)*EXP(B5*-LN(ABS(B5))*B6*SINAL(B5)))*1)/B7
      O VE PSBe vai te dar o Valor Estipulado, ou seja, o valor alvo de Mercado da empresa. Já o PSBe vai te dar o preço justo da cotação, levando em conta neste caso tag along de 100%.
      O valor da constante, agora chamada de VMCM, é atualizado a cada trimestre neste tópico: http://forum.infomoney.com.br/viewtopic.php?t=10754
      Neste outro tópico o Domingos posta gráficos Valor de Mercado x VE PSBe sobre diversas empresas: http://forum.infomoney.com.br/viewtopic.php?t=13096
      Lembrando que esta fórmula é mais uma ferramenta para agregar nos estudos dos guerreiros e que não tem a intenção de indicar por si só compra ou venda.


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      terça-feira, 17 de maio de 2011

      Estratégias envolvendo análise fundamentalista - Segunda parte - Valor + Dividendos



      Neste artigo, continuaremos falando sobre as estratégias envolvendo a análise fundamentalista e sobre um dos principais indicadores: os dividendos.

      O que são e como funcionam os dividendos? Dividendos são a parte do lucro da empresa que é distribuída para os acionistas e que é isenta de imposto de renda. Para receber os dividendos, basta que esteja comprado no último dia COM, que é a data em que a empresa divulga que os detentores da ação neste dia receberão este direito proporcionalmente ao numero de ações possuídas nesta data. No dia seguinte, a empresa abre EX dividendos, sofrendo um ajuste na cotação sobre o valor distribuído.

      Mas o que realmente interessa na estratégia para o investidor de Longo Prazo? É o indicador chamado DY (dividend yield), e o poder de se reinvestir dividendos.

      DY representa o quanto em porcentagem você recebeu de dividendos no ano, sobre a cotação da ação. Por exemplo, uma empresa com um DY de 7%, significa que no período de 1 ano esta empresa deu de retorno em dividendos 7% do valor da cotação no ano. Este é um ótimo retorno, lembrando novamente que os dividendos são isentos de imposto de renda. Geralmente, as empresas distribuem em torno de 25% do lucro líquido para os acionistas em forma de dividendos. Porém, existem empresas que chegam a distribuir até 100% do lucro. E quanto maior a distribuição do lucro sobre a cotação, maior o DY.

      Como se calcula o DY de uma empresa? A conta é assim: DY = DPA / Cotação da empresa. DPA significa dividendos por ação. Para calculá-lo basta dividir o valor de dividendos pago no ano, pelo numero de ações da empresa.
      Exemplo de conta de DY - TLPP4 no ano de 2010:
      Dividendos pagos no ano: R$ 1.919.900M
      Numero de ações: 506.237M
      DPA = 1.919.900 / 506.237 = 3,79
      Cotação na época: 40
      DY = 3,79 / 40 = 0,09475, que multiplicando por 100 para colocar em porcentagem temos um DY no ano de 2010 de 9,47%.

      Poder de reinvestir dividendos no LP - Toda vez que se receber dividendos em sua conta e o reinveste no mercado, ao surgir uma alta do mercado a sua rentabilidade vai aumentar em uma maior proporção, graças aos juros compostos. Logo, para quem opera no LP, reinvestir dividendos é uma poderosa arma para aumento de capital. 

      Vamos a um exemplo: ETER3
      No período de 2007 ate março de 2011, as ações da ETER3 valorizaram 65%. Nada mal, porém se levarmos em conta os dividendos pagos neste período, a rentabilidade saltará para 189%. Nota-se a grande diferença de ganho acrescentando os dividendos. Por isso, na montagem de sua estratégia é muito importante ter pelo menos uma parcela de sua carteira com ações que pagam bons dividendos, e que além disso possuem alto potencial de valor. 


      Existem empresas que se enquadram em mais de um tipo de estratégia diferente. Isto é muito bom para o investidor, pois,  grosso modo, é o mesmo que ir a um supermercado e comprar um produto onde você paga por um mais leva dois! E uma ótima forma de diminuir os seus riscos é analisar se a empresa que você vai investir se enquadra em mais de um tipo de estratégia diferente.

      Vejam mais exemplos:

      • dividendos + valor: ELPL4 - Empresa possue múltiplos atrativos, P/L de 3,75, P/VP de 1,37 e ROE de 36%. Além disso, em 2010, teve um DY de incríveis 27%. Isto porque a empresa apresentou eventos não recorrentes que aumentaram o resultado. Como a empresa distribui quase que 100% do lucro, os dividendos foram muito altos. Mesmo removendo estes fatores, o DY da empresa ainda seria muito elevado.
      • crescimento + valor: EZTC3 - Empresa possui múltiplos muito superiores aos seus pares no setor, com P/L de 9,0, P/VP de 2,1, ROE de 23%, e uma margem liquida de incríveis 41%. Nos últimos três anos, a empresa quase que duplicou a sua receita líquida (alta de 91%), ao passo que o lucro líquido neste mesmo período cresceu 140%.
      • crescimento + dividendos: ODPV3 - apresentou um DY de 7% ano passado, e tem pago bons dividendos nos últimos anos. Além disso a empresa quase que triplicou a sua receita líquida nos últimos tres anos.
      • crescimento + valor + dividendos: ETER3 - Nos últimos quatro anos a receita líquida quase que dobrou, e o lucro aumentou em um ritmo maior ainda. Ademais, possui bons indicadores, com P/L de 8,9, P/VP de 2,0 e ROE de 23%, além de ter um endividamento próximo de zero. Se não bastasse isso, a empresa ainda mantém um alto DY, com 9,3% em 2010, distribuindo nos últimos anos aproximadamente 80% do lucro.

      Destas quatro estratégias acima, as combinações mais raras de ser ver no mercado são as de crescimento + dividendos, conforme expliquei no artigo anterior, e as que combinam crescimento + valor + dividendos, esta então dá para contar nos dedos o numero de empresas.

      Estratégia envolvendo dividendos + valor - Esta foi a principal estratégia escolhida nos meus investimentos, ocupando quase que 2/3 da minha carteira em ações (o restante esta na estratégia crescimento + valor). Isto porque a estratégia focada em valor tende a apresentar uma maior rentabilidade para o investidor no longo prazo, vide o estudo do Siegel no artigo anterior. Este fator aliado com os dividendos, diminuem bastante os riscos do investidor, e trazem bons ganhos no longo prazo. Vale lembrar sempre da equação Risco x Retorno e Prazo, e como o investidor tem que adequar o seu perfil a esta fórmula. Quem investe em micos esta correndo maiores riscos para ter uma chance de obter maior retorno no curto prazo. Eu sigo a filosofia de correr baixos riscos, visando altos retornos no longo prazo. 

      Quem quiser saber melhor como funciona os mecanismos envolvendo os proventos, sugiro a leitura deste tópico do fórum Infomoney, onde há diversos artigos explicando melhor, principalmente para iniciantes do mercado: http://forum.infomoney.com.br/viewtopic.php?t=10524

      Agora que você, Guerreiro, já sabe como identificar uma empresa de crescimento, de valor e de dividendos, cabe-lhe analisá-las e identificar qual o seu foco de estratégia, ou se possui mais de um, visando minimizar seus riscos e aumentar as chances de ganho. No próximo artigo, falaremos sobre uma fórmula para identificar o preço alvo de uma ação com base em valor, que se chama PSBe - Preço Sugerido pelo Balanço, exponencial no lucro, do Domingos Junqueira.


      terça-feira, 10 de maio de 2011

      Estratégias envolvendo análise fundamentalista - Primeira parte - Valor x Crescimento



      Agora que os Guerreiros já conhecem os 6 principais indicadores para usarmos como parâmetros de atratividade, descritos nos dois artigos anteriores, vamos falar um pouco mais sobre análise fundamentalista, com foco no longo prazo (ou como o mercado gosta de chamar, buy & holder), e sobre quais estratégias o investidor pode escolher para montar sua carteira de ações.

      Valor x Crescimento - Se pudéssemos rotular as empresas, diria que estes seriam dois bons rótulos para classificarmos. Vejam mais detalhes sobre cada uma abaixo:

      Valor - É a estratégia predileta do investidor Warren Buffett, discípulo do Graham. Grosso modo, significa comprar uma caneta que vale R$ 1,00 por R$ 0,50, ou seja, comprar ações que estejam subavaliadas pelo mercado. A avaliação de indicadores, como mostrado nos artigos anteriores, é uma das estratégias para se identificar empresas de valor. Empresas deste tipo necessitam de uma boa análise de risco, isto porque muitas vezes elas estão baratas por conta de diversos riscos implícitos, como pendências judiciais, vencimento de contratos, suspeita de fraude, entre outras. Cabe ao investidor conhecer os riscos, e pesar a relação risco x retorno no seu perfil. 
      Para resumir melhor esta estratégia, deixo aqui uma frase do Buffett: "preço é o que você paga, e valor é o que você obtém".

      Exemplo de empresa com foco em valor: Copasa = P/L de 5,1, P/VP de 0,8, ROE de 16%, Liquidez corrente de 1,0, Divida bruta/patrimônio de 0,5, e Margem liquida de 21%. Indicadores atrativos e superiores aos números do mercado e do setor.

      Crescimento - É a estratégia predileta do investidor Peter Lynch. De forma resumida, significa comprar uma caneta por R$ 1,00, mas que ontem valia R$ 0,90, e que amanhã você especule que valerá R$ 1,10. São empresas que possuem alto potencial de crescimento e que conseguem aumentar os números a cada ano de forma expressiva. Para identificar estas empresas, é preciso olhar os balanços anteriores, comparar a evolução dos resultados e fazer uma analise setorial e econômica para visualizar se a empresa possui grande potencial de crescimento, ou se continuará crescendo no mesmo ritmo.

      Exemplo de empresa com foco em crescimento: Hering = crescimento forte e constante da receita nos últimos 3 anos - vejam o gráfico acima.

      Quais embasamentos temos para escolhermos uma estratégia de longo prazo, focada em analise fundamentalista? 
      Recomendo aos leitores o livro de J. Siegel, chamado Investindo em ações no Longo Prazo. Neste livro, o autor faz diversas pesquisas históricas nos índices americanos. Têm duas conclusões que ele mostrou, com base em fatos históricos, que achei muito interessante. Uma delas é que em períodos de investimento acima de 10 anos, descontando a inflação, o risco no mercado de ações se torna menor do que na renda fixa. A outra é que retornos históricos em ações de valor ultrapassaram as ações de crescimento, e esse melhor desempenho é especialmente verdadeiro entre as menores empresas, afirmando assim a superioridade da estratégia de valor sobre a de crescimento. 

      Porque isto ocorre? Empresas que crescem a passos largos geralmente acabam tendo dificuldades em algum momento no controle de custos. Além disso, precisam de uma boa alavancagem financeira e muitas vezes acabam aumentando muito o endividamento. Também existe a dificuldade de manter constantemente um forte crescimento por um longo período de tempo e acabam tendo que reinvestir quase que todo o capital lucrado no negócio, ao contrário de empresas de valor, que geralmente conseguem ter maior folga em caixa, fazendo maiores distribuições de dividendos.

      Gostei das duas estratégias acima. Agora, qual seguir? 
      Simples, você pode montar uma carteira com capital de 50% focado em empresas de valor e os outros 50% focado em empresas de crescimento. O principal é fazer uma boa análise, conhecer os riscos inerentes da empresa e setor, e estudar se as perspectivas futuras estão favoráveis. Além disso, é importante analisar, a cada balanço, os indicadores e números, e comparar com a evolução histórica da empresa. Não podemos confundir buy & holder com buy & forget.

      Para o artigo não ficar muito extenso, foi dividido em duas partes. No próximo, falararemos sobre Dividendos, um dos principais indicadores para o investidor de longo prazo, e como ele pode vir a somar com a estratégia de valor.



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      Interpretando os Principais Indicadores Fundamentalistas - 2a Parte

      terça-feira, 26 de abril de 2011

      Interpretando os Principais Indicadores Fundamentalistas - Primeira Parte


      Resolvi dividir em duas partes esta publicação: na primeira, tratarei dos principais indicadores da Análise Fundamentalista (AF), mostrando exemplos práticos de como interpretá-los e achar boas oportunidades de investimento; na segunda, irei expandir estes indicadores, mostrando ao investidor como identificar empresas em situações financeiras complicadas, onde o trade possui caráter de maior volatilidade e risco, por conta do fator especulativo do ativo.


      Vale lembrar que a idéia aqui é mostrar ferramentas práticas e de fácil utilização que sirvam para agregar valor aos métodos utilizados pelos investidores.

      Existem dois sites na internet que já fornecem os indicadores prontos para consulta e que, sem dúvidas, agilizam a vida do investidor. São eles: Fundamentus e GuiaInvest

      Nestes sites, ao digitar o codigo da ação, é possível visualizar rapidamente uma série de indicadores. No caso do GuiaInvest, após selecionar o ativo, basta acessar a área de Raio-X (ou mais simples ainda, é só digitar o codigo do ativo na barra lateral deste site, na parte de AF). A vantagem deste último é que mostra a evolução dos indicadores ao longo dos anos, ao passo que no Fundamentus só é disponibilizado os indicadores com base nos últimos 12 meses. Cabe aqui uma ressalva, a confiabilidade dos números apresentados nestes sites não é 100%. Vale a pena comparar os números diretamente do balanço da empresa com os apresentados nos sites acima.

      Principais indicadores:

      P/L - Preço sobre Lucro - Como calcular? Cotação da ação dividido sobre o Lucro Líquido por ação. Para calcular este primeiro temos que descobrir o Lucro Líquido por ação (LPA) com uma conta simples. 
      LPA = Lucro Líquido anual dividido pelo número de ações da empresa. Depois de calculado o LPA, só temos que dividir a cotação da ação pelo LPA para, então, chegarmos ao P/L.

      Mas, o que representa o P/L? Representa o número de anos que o investidor levaria para recuperar um investimento. Ou seja, uma empresa que apresenta um P/L de 12, significa que em 12 anos você recuperaria todo o seu capital investido.

      Como usar o P/L? Basicamente, quanto menor o P/L melhor, pois isto significa um menor tempo para ter o retorno deste investimento. Lembrando que quando deparar com um P/L negativo, significa que a empresa esta apresentando prejuízos anuais. É sempre importante comparar o P/L das outras empresas do mesmo setor, para se ter uma idéia de qual seria a média setorial, e se a empresa escolhida está acima ou abaixo desta média.

      P/VP - Preço sobre Valor Patrimonial - Como calcular? Cotação da ação dividido pelo Valor Patrimonial por ação. Para calcular este primeiro temos que descobrir o Valor Patrimonial por ação (VPA) com uma conta simples. VPA = Patrimônio Líquido dividido pelo número de ações da empresa. Depois de descoberto o VPA, só temos que dividir a cotação da ação pelo VPA para chegarmos ao P/VP.

      Mas, o que representa o P/VP? Informa o quanto o mercado está pagando pelo valor do patrimônio da empresa. Em outras palavras, uma empresa que tenha um P/VP de 2 informa que o mercado está pagando 2x o valor do patrimônio desta empresa.

      Como usar o P/VP? Basicamente, quanto menor o P/VP melhor, pois isto significa que a empresa está mais barata. Um P/VP menor que 1 diz que o mercado está pagando menos do que vale o valor do patrimônio da empresa. Aqui vale uma observação: este indicador isoladamente não significa nada, porém se o analisarmos junto com o próximo indicador, ele se torna de extrema utilidade.

      ROE - Retorno sobre o Patrimônio Líquido - Como calcular? Lucro Líquido dividido pelo Patrimônio Líquido, colocado em porcentagem. Também é conhecido como RPL.

      Mas, o que representa o ROE? Informa a rentabilidade que aquele Patrimônio Líquido da empresa está gerando. Um ROE de 20% significa que a empresa esta gerando um retorno sobre aquele patrimônio de 20% para o acionista.

      Como usar o ROE? Basicamente, quanto maior o ROE melhor, pois isto significa que a empresa está gerando um maior retorno. Como chamei a atenção no indicador anterior, temos que olhar este indicador em conjunto com o P/VP. Isto porque o P/VP nos diz se o mercado esta pagando caro ou barato pelo patrimônio da empresa, e o ROE, por sua vez, nos diz se este patrimônio esta gerando um bom retorno. Senão, Guerreiro, de que adiantaria investir em uma empresa que possui um P/VP barato, mas que apresenta um ROE baixo? Como diria Warren Buffett: eu prefiro pagar um preço razoável por uma empresa boa, do que um preço baixo por uma empresa razoável. Logo o ideal é maximizar este fórmula, procurando investir em empresas com baixo P/VP e alto ROE.

      Vamos aos exemplos práticos:
      IDVL4 - balanço anual de 2010 - olhando naqueles dois sites indicados no início do post, temos os seguintes números:
      P/L de 12,8
      P/VP de 0,87
      ROE de 6,8%

      Olhando rapidamente outras empresas do setor, vemos que o P/L da empresa está um pouco elevado, apresentando o mesmo valor que o BBDC4, que é um grande banco. Geralmente, médias e pequenas empresas possuem P/L menores, devido ao desconto que o mercado sempre aplica a estes. Pois bem! Já vimos que o P/L não está muito atrativo, mas, continuemos com os outros dois indicadores: o P/VP está abaixo de 1,00, isto significa que a empresa está muito barata. Porém, olhando o ROE percebemo a razão disto: empresa com um baixo ROE está dando um baixo retorno ao acionista. Novamente, comparando com um grande banco como BBDC4, temos o P/VP de 2,5, mas o ROE de 21%. Aqui, vale aquela frase do Buffett que postei. Vamos olhar agora outra empresa do mesmo setor.

      PRBC4 - balanço anual de 2010
      P/L de 9,0
      P/VP de 1,28
      ROE de 14,2%

      Comparando com IDVL, vemos que os indicadores de PRBC estão bem mais atrativos. PRBC mesmo tendo um P/VP maior do que IDVL, esta com um ROE muito superior, e um P/L inferior. Em outras palavras, PRBC está um pouco mais cara, mas esta dando um retorno ao acionista muito superior, além de um menor prazo para retorno do investimento. Neste caso, podemos dizer que estamos pagando um preço razoável por uma empresa boa. Lembrando que estamos avaliando números que representam o histórico da empresa. É preciso também levar em conta perspectivas futuras.

      Uma observação de extrema valia para os Guerreiros. Existem muitas empresas que possuem os seus indicadores inflados, ou seja, eventos não operacionais que aumentaram em muito o lucro líquido da empresa, distorcendo os indicadores (por exemplo, uma siderúrgica que vendeu um terreno gerando um grande aumento no lucro líquido, porém esta venda foi um resultado não operacional, pois não é da natureza da empresa). Mas, há uma forma de identificar isto rapidamente. Compare o valor do EBIT com o valor do Lucro líquido. O EBIT representa basicamente o lucro operacional da empresa, antes de impostos e juros. Logo, se tivermos uma empresa com o Lucro Líquido muito superior ao EBIT, já podemos desconfiar que os indicadores estão distorcidos.

      Um exemplo: BRPR3. Olhando os números de 2010 (fonte: fundamentus), temos um P/L de 2,9, um P/VP de 0,89 e um ROE de 30%. Seria a empresa mais atrativa da bolsa. Porém, vejam como os números estão inflados: EBIT = 168M e Lucro Líquido = 813M. Não vou entrar em muitos detalhes sobre o assunto, mas o investidor checando sempre estes dois números,  já vai terá uma boa ideia se os indicadores estão inflados ou não, e com isso fazer uma análise fiel dos números.



      Chamo a atenção para a necessidade de sempre usar, pelo menos, estes três indicadores em conjunto, nunca isoladamente. Além disso, sempre os compare com indicadores de outras empresas do mesmo setor. São indicadores básicos, mas de grande utilidade, cuja evolução deve ser acompanhada a cada trimestre através de uma planilha. Na segunda parte deste estudo, apresentarei mais alguns indicadores que também podem ser usados como parâmetro de atratividade, mas vou mostrá-los para identificarmos empresas em dificuldades financeiras.

      Até a próxima!